• 12 de ago

Repensar o negócio é, na prática, ganhar mais dinheiro

Repensar o modelo de negócio não é abrir mão da prosperidade. Se você já tem clareza de quem você é e a vida que quer viver, entenda por que a estrutura financeira pode ser o ponto cego. Aprenda como o olhar Slow transforma números em bússola para avançar em espiral.

Existe uma pergunta que muitas mulheres empreendedoras nunca fizeram em voz alta, mas carregam em silêncio há meses (às vezes, anos), que é: "Será que vale a pena continuar?"

Não é falta de disciplina. Não é falta de dedicação. Não é falta de alma, propósito, sensibilidade e ritmo conectado com o próprio ciclo. Na maioria das vezes, é falta de estrutura financeira e alinhar essa estrutura a sua ciclicidade. E essa lacuna tem uma origem que nos importa aqui relacionada a uma solução que não exige que você se torne outra pessoa para alcançá-la.

Por que tantas mulheres chegam à beira do abandono do próprio negócio

No grupo da nossa comunidade Slow mesmo já ouvimos "vou voltar para CLT, os clientes não estão chegando, acho que isso é falta de posicionamento" …. e por aí vai.

O sistema econômico em que vivemos foi construído por homens, para homens. As métricas de sucesso, os modelos de negócio, os rituais de gestão financeira, tudo isso foi desenhado dentro de uma lógica masculina: linear, hierárquica, orientada à performance constante.

E nós, mulheres, fomos ensinadas a nos encaixar nesse modelo e (claro) conseguimos. Mesmo que tenhamos uma grande dificuldade em tratar os números como algo frio, técnico, distante da nossa essência. “Os homens fazem isso muito bem”, assim mesmo lembrou a Laís Monteiro no Negócios de Mulher 3, na palestra Dinheiro e Prazer.

Acesse às gravacoes dos eventos NDM (Negócios de Mulher) aqui: https://www.slowbusinessbrasil.com/negociosdemulher

Voltando. Sentir vergonha quando não entendemos o balanço ou confundimos faturamento com lucro. Misturar o dinheiro da empresa com o da vida pessoal, porque, afinal, "somos nós a empresa". Esses erros podem acontecer e ainda dá tempo de corrigir.

Qual seria a consequência de não corrigir? Uma mulher que trabalha muito, entrega com alma, tem clientes que amam o que ela faz e ainda assim chega ao fim do mês sem entender para onde foi o dinheiro. Sem saber se a empresa pode se pagar suficientemente para escalar. Sem saber quanto precisa faturar para que tudo isso valha a pena e para que ela tenha a vida que deseja viver com plenitude.

Esse é o ponto onde o desânimo vira desistência.

Mas não com as mulheres SLOW!

E se a saída não fosse trabalhar mais, cobrar mais caro ou imitar os modelos que nunca foram feitos para nós? E se repensar os modelos de negócio na perspectiva Slow fosse exatamente isso: ter faturamento e lucro de um jeito mais feminino?

O que significa repensar o modelo no Slow Business

Quando falamos em repensar os modelos de negócio atuais como objetivo principal do Movimento Slow Business, estamos falando exatamente em não abrir mão da prosperidade.

Repensar o modelo é entender que um negócio sustentável é um negócio lucrativo e que lucro, para uma mulher que empreende com intenção, tem que pagar a vida que ela deseja viver. Não a vida que sobrou. A que ela escolheu.

No Slow Business, a estrutura financeira não é planilha fria. É bússola. É o mapa que permite que você trabalhe com presença, tome decisões com clareza e cresça sem se destruir no processo.

A essência feminina contém sensibilidade, intuição, cuidado, ciclicidade e a partir de agora não é o oposto do resultado financeiro. Afinal de contas, energia feminina também é força!

E citando mais uma palestrante do evento Negócios de Mulher 3, a Andrea Tkacukova: “Existe o estágio, ou fase, de ser mais masculina e atuar com firmeza, dentro dos 4 estágios da liderança feminina.”

Por onde começar: o olhar Slow para as finanças do seu negócio

Então separamos sete passos para você refletir e aplicar. Lembrando que como um movimento coletivo, esperamos que esses insights práticos gerem discussões para repensarmos os modelos atuais e recriamos novas fórmulas que funcionam para cada negócio. O Slow Business também diz sobre a unicidade de cada empresa autoral. Porque é liderada por uma mulher também única.

Vamos lá!

1. Comece pela vida, não pelos números

A primeira pergunta não é "quanto estou faturando?" É: quanto custa a vida que eu quero viver?

Some aluguel, alimentação, saúde, lazer, viagem, reserva de emergência. Esse número honesto, real, sem cortes que machucam é a sua meta de vida. É ele que vai orientar tudo o que vem depois.

2. Veja o que realmente está entrando

Liste suas fontes de receita do último mês. Sem julgamento. Só observação. Quanto entrou? De onde veio? Foi constante ou variou? Esse exercício simples já revela padrões que a gente costuma ignorar quando está no modo automático de "trabalhar e esperar".

3. Separe o que é da empresa do que é seu

Se o dinheiro da sua empresa e o seu dinheiro pessoal se misturam, você nunca vai ter clareza e vai sempre sentir que falta, mesmo quando não falta.

Defina um pró-labore: um valor fixo que a empresa te paga todo mês, como se fosse seu salário. Pode começar pequeno. O que importa é criar essa separação, porque ela é o primeiro ato de respeito que você oferece ao seu próprio negócio.

A Dani Fafer ressaltou isso com primor na palestra “Estruturada, portanto Livre: a rota da mulher que empreende a própria vida e o negócio", do Negócios de Mulher 3. Conheça a Dani no Vozes do Slow: https://www.slowbusinessbrasil.com/blog/vozes-do-slow-dani-fafer

4. Mapeie o que sai

Divida em dois grupos:

  • Grupo a: Fixos, ou seja, o que você paga todo mês independentemente de vender: ferramentas, plataformas, contador, aluguel de espaço.

  • Grupo b: Variáveis, ou seja, o que muda conforme você produz ou entrega: materiais, comissões, deslocamento.

Some tudo. Esse é o custo real de manter o seu negócio vivo.

5. Calcule seu ponto de equilíbrio

Some pró-labore + custos fixos + custos variáveis. Esse é o valor mínimo que você precisa faturar para não estar no prejuízo.

Se você nunca calculou isso, é possível que esteja trabalhando para pagar as contas do negócio e não para pagar a sua vida. Esse é um dos momentos mais reveladores desse processo.

6. Defina sua meta com intenção

Agora some: ponto de equilíbrio + meta de vida + uma reserva (mesmo que pequena, mesmo que R$ 100 por mês). Esse é o número que você vai perseguir. Não porque o mercado diz que é o certo. Porque é o que sustenta quem você é.

7. Revise no seu ritmo, mas revise

No Slow Business, a revisão financeira não é punição. É ritual. Coloque na sua agenda! Se tiver muita dificuldade, contrate mulheres para te darem consultoria. No grupo do movimento no whatsapp, temos especialistas que com certeza podem te acompanhar, como a própria Dani ou a Fabíola. Fique de olho nas Sextas Honrosas!

E aí, uma vez por mês, reserve 30 minutos para sentar com esses números. O que mudou? O que precisa de ajuste? Onde tem vazamento? Onde tem crescimento?

Com o tempo, você vai parar de temer os números e começar a usá-los como o que eles realmente são: uma linguagem de cuidado com o seu negócio e com a sua vida.

Uma última coisa

Repensar o modelo de negócio não é romantizar a pobreza nem preguiça disfarçada de leveza. Não é trabalhar menos e esperar que as coisas se resolvam, só manifestando. É construir uma estrutura que te permite trabalhar com mais presença, respeitando sua sensibilidade, sua espiritualidade, com intenção consciente, e, sim, com mais dinheiro.

Já falamos muito aqui no Movimento Slow Business: desacelerar para avançar. Como eu mesma (Nat) reforço no meu workshop dos 4 Pulsos, nosso crescimento avança em espiral.

Bora ver se esse negócio está de verdade pagando a vida que você merece.

E se ainda não está, isso não é sinal para desistir. É sinal para repensar e continuar com a gente.

O Movimento Slow Business Brasil é um espaço para mulheres empreendedoras que acreditam que é possível construir negócios lucrativos sem abrir mão de quem são. Toda quarta, abrimos conversas como essa na nossa comunidade. Toda sexta é dia de autopromoção e networking.

Eventualmente também temos nossos Masterminds, confira as gravações que passaram aqui. E duas vezes ao ano, temos nosso evento oficial Negócios de Mulher!

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